O Processo de um Filme.

Aos que visitam o blog pela 1ª vez, recomendamos que leiam primeiro os posts mais antigos, para compreender melhor o que estamos fazendo. Para isso basta descer nesta página e clicar em POSTAGENS MAIS ANTIGAS. Sejam bem vindos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Comentário sobre esse último post de Zezé..

Acho que aqui merece o cuidado para a afirmação política sobre indústria e linguagem não sobre-sair em relação ao motivo primeiro que é liberdade e tesão de fazer cinema do teu jeito, sobre nossas questões e com as ferramentas que temos, com mais loucura e menos precisão. Assim como, do meu ponto de vista, acontece em Old Joy. A linguagem, a despretensão, o assumir fazer do seu jeito são conseqüências dum simples impulso de fazer o filme que deseja fazer sem adequações estruturais/políticas/industrias, mas não que isso seja um tema. Aliás, sei da sua posição quanto a isso. Penso da mesma forma em relação à meta-linguagem, acho que ela também deve ser conseqüência, não apontada claramente como objetivo principal. É isso... Beijo!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O Processo: 4ª Reunião

A quarta reunião ocorreu neste domingo 21/02, aqui em casa novamente.

Primeiro vimos o filme Old Joy. Como sempre o filme foi visto com um objetivo específico, que no caso era atentar para as possibilidades de encenação de questões pessoais nossas, enquanto atores de um documentário: como transformar em cenas os conflitos e relações entre as pessoas do grupo? Essas questões devem ser explicitadas ou ficarem no subtexto?

Para explorarmos estas possibilidades, foram feitas duplas entre os atores, as quais devem construir livremente cenas que falem um pouco de suas relações. A apresentação e gravação destas cenas ficaram marcadas para daqui duas reuniões (07/03/2010) . As duplas definidas foram: Adelita e Guto, Galo e Wagner, Lia e Tom e Pedro e Sofia.

Mas, como todos os filmes, Old Joy suscitou muitas outras questões além das quais nos propomos a atentar a princípio. O filme se constrói num ritmo muito próprio, onde parece haver uma convergência entre dramaturgia e visão política muito bem pensada. Há muitos silêncios, planos longos, que atuam simultâneamente na construção da distância e desconforto que se estabeleceu entre os dois amigos (que depois são resignificados como uma harmonia silenciosa, uma relação de amizade não explicativa entre os dois), mas que são também uma afirmação do diretor de que é possível fazer filmes que se permitam um ritmo que demande do espectador um envolvimento voluntário maior, que não sacrifique a delicadeza do assunto, a sutileza das relações por conta de um ritmo comercialmente mais eficaz, por assim dizer. O fato é que pode-se dizer que a industrialização de tudo é um subtema deste filme, o qual ele aborda e ataca fazendo-se de forma barata e expondo escolhas (ainda que muito pequenas) que vão de encontro a uma opção de vida altamente consumista. Um filme barato então, que se faz possível e relevante sem ter que girar uma enorme quantia de dinheiro e energia em torno de si.

Isso nos abre infinitas possibilidades. Não acredito que o Travessia terá um ritmo parecido, pois a natureza de nossas relações é, digamos, mais frenética. Mas nos mostra a caminhos e possibilidades, a força e relevância que pode haver numa obra que não se paute por atingir milhões de pessoas, mas em ser profunda e coerente para o número de espectadores possível de se atingir sem se imbuir de uma lógica industrial, tanto na produção, como na linguagem.

Depois falamos um pouco sobre os personagens que criamos, mas deixamos para explorá-los melhor na semana seguinte.

A próxima reunião será domingo que vem, às 20h00, na casa do Guto. A idéia é que gravemos 'entrevistas' sobre os personagens criados e depois nos debrucemos sobre o mapa para começarmos a traçar nosso roteiro de viagem. Até lá.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Lia por mim mesma

(Não produzi especialmente, isso aqui já foi um parto)
Sou vários.
Há o que faz, o que distrai
sou tantos...
versos tortos, verbos soltos
dia um, dia outro
sendo assim nunca só,
mesmo que eu,
complico-me
suplico voltar a mim mesmo
é um desastre não ser o mesmo
em todas as ocasiões

Não é fácil e nada é
enquanto meus eus passeiam
o mesmo se perde no caminho

Sou vários,
tantos;
nem acho lugares.
Aí enfiam-se onde não é pra estar
enganam-me, fico sem saber
até que me fazem esquecer,
mas o resto do mundo se lembra.
Eu não, eus nãos.
E recorda daquilo que não fui eu quem fiz,
quem programou, planejou, falou

Que diabos, sou vários
que me encaixam
que me pertencem,
mas não sou apenas eu, sou tantos

Acabo mesmo por aqui, para não dizerem: loucura
Pois não sou louco
apenas só não sou um,
porque sou vários
e sou tantos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O Galo por Lia

Acho que só dá pra conheçer e entendê-lo melhor depois de ir pra Ilha do Cardoso com ele. Sem ele não é lá e sem lá não é ele.
Muita coisa participa do Galo, tem Bethania, olhos claros, Caetano, anarquia, Cabelos, liberdade, alegria, poesia, cabe muita coisa nele.
Eu particularmente gosto de suas fases, umas menos, é como a Lua. Cada uma tem seu certo encanto, o Galo é encantador, cantador cancioneiro, poeta querido.
A sua presença muda o lugar, alma livre.
Iês!
Um gole de cachaça bem dado.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Carta ao Marcos

Sinto um certo aprisionamento nos conceitos e justificativas, a sorte é que por traz disso tem uma inteligência oriental, que se mostra paciente e afetiva com as diferenças.
Te vi coordenar um grupo de estudantes de cinema que com euforia se atropelavam para mostrar quem sabia mais, e te vi confiante nas suas vontades. Com política conseguiu encaixar seus desejos, deixando todos se sentirem contemplados, mas as idéias eram suas.
Um cara cheio de idéias. Um cara que fala manso e que enquadra tudo ao seu favor.
Um brasileiro que trabalhava 12 horas por dia e só pensava no desconto que receberia do cinema verde e amarelo. Deixou o Japão e a familia para se aventurar no Butantâ, na USP.
Atualmente a USP é o seu grande projeto e me parece que você é um cara de muitos projetos. Projetos grandes e é por isso que hoje nos reencontramos neste que tem tudo para ser o tal.
Adelita por Wagner

Eu SOU assim ó!
Um pouco artista miteriosa, um pouco atriz expressiva.
Tenho vaidade. E quem não tem?
Solto um sorriso com facilidade, mas as vezes me perco na minha seriedade.
Amo muito meus amores e me apego neles. Tenho medo de perde-los e de me perder neles.
Sou familia, quero agregar...mas preciso de tempo pra me isolar.
No trabalho sou viceral e na folia tento ser normal.Feliz eu sou e tento ser, me esforço. As vezes é preciso para não sofrer.
Esforço; luta e medo; desejo; medo; timidez até demais; me camuflo na personalidade forte; medo; desejo; me esforço; luto sempre, as vezes desisto.
Koque aró! Koque Odé! Gustavo Galo ou GG hahaha

Filho de Oxóssê.é Oxóssê né?
Pois é, como Oxóssê tem a missão da transformação e como caçador de alma velha tem a paciência necessária e o silêncio de quem fala com precisâo. tem fala certa e ela acertou minha testa , como seta de caboclo com direção. tem composições completas que comunicam a todos, que comunica a mim. não precisamos ser melhores amigos, só precisamos deste respeito que se instaurou na nossa divisão. eu te respeito como homem que sabe o que faz e me sinto respeitado.
Tem o olhar calmo e o coração pulsante que bombeia sangue e álcool, se faz de boêmio anárquico e tem o ritmo de um sambista da velha guarda.
Como você faz pra viver nesta motrópole moderna?
Wagner por Wagner

Sou contraditório.me intendo no silêncio.sou fiel aos meus aliados.amo o ser-humano.amo uma única vez.sou prático e objetivo.persistência suicída.trabalhador.gosto de parar e pensar.sou muito difícil.sou muito fácil.observador e completamente
intuitivo.ansioso.ansioso.impaciente.ansioso.tenho uma falsa calmaria.tenho muitas tonturas e dores de cabeça.odeio vomitar.gosto das pessoas e de conhece-las.o sorriso é muito fácil de aparecer mas não penso muito pra fazer cara feia.
Bebo muito café e larguei a coca-cola.sou facinado por cadeiras e quero muito ter filhos e cães.
Tenho sonhos de grandeza mas vivo na rasura, no caos, no rascunho.adoro rascunho porque assim posso sempre mudar, apagar e reescrever, detalhar mais e mostrar grosseria.amo as imagens e o poder que elas tem.

Guteba por Lia, não definitivo

Guteba é bom de abraçar. Um doce vestido de hominho (e o diminutivo é puro carinho, o cabra é da peste, famoso homenzarrão).
Ele acha os apelidos das pessoas queridas meio de dentro dele meio de dentro delas. Não sei como faz, mas faz muito bem.
Ai, que difícil... o Gutinho teria o dom de me explicar, sente algumas coisas sem dizer e sente o que sentimos sem contar.
Não sei, tarefinha complicada, é amigo do peito e não passa por cima dele mesmo, eu acho e espero.
Ai, talvez depois eu complete, por enquanto é isso, não consigo traduzí-lo.

Tonga por Songa

(Parece fácil, mas é difícil descrevê-lo).
Autêntico. Único. Especial. Só tem um Tom no Mundo.
Sensibilidade feminina. Mais Yin que Yang.
Engraçado e sério. Silencioso e falante. Inteligente e ingênuo.
Rápido. Sabe conviver em vários meios diferentes. Sabe lidar com as pessoas. Pé no chão, mas gosta das experiências de expansão da consciência.
Aberto para a vida, pros seres humanos. Acessível. Fofo. Meigo. Melancólico. Sofre de Platonismo. Sincero. Íntegro. Amorosíssimo.
Medroso e corajoso, uma mistura das duas coisas. Ótimo de conviver. Perspicaz. Competente. Dedicado. Não demonstra os sentimentos com freqüência. Não se expõe, não se abre pra qualquer um. Generoso. Terreno. Não tem muito apego material. Possui um senso de humor gostoso.

Sofia eu mesma

Sou simples e complexa. Tendo para o silêncio, já fui mais expansiva, já ocupei mais espaço. Dispersa no último. Avoada. Sou alegre, gosto da vida. Gosto e acredito no Ser Humano. Me critico muito. Critico tudo muito. Penso demais antes de fazer. Me calo quando não deveria. Tenho dificuldade de colocar meus limites. Medo de dizer NÃO. Sou ultra mega hiper sensível. Capto coisas no ar, intuitiva. Amo a música. Amo as palavras, escrevê-las ou lê-las. Não sei ficar sozinha. Não sei não dar a minha opinião. Não sei não julgar. Sou absolutamente hiperativa. Não consigo ficar parada. Não sei ficar em casa. Não sei não trabalhar sem parar. Gosto disso. Gosto do ritmo frenético que me consome e me esgota e embora eu reclame, eu prefiro que seja assim. Amo São Paulo. Noutras vezes odeio essa vida que escolhi pra mim. E depois amo. E depois odeio. E depois fico muito feliz. E depois muito triste. Meus sentimentos mudam rápido. Sou apegada. Saudosista. Melancólica. E Terrena. Gosto de fazer tudo ao mesmo tempo, me envolver em mil coisas juntas. Tenho medo de pessoas muito diferentes de mim. Com freqüência tenho sentimentos de inferioridade. Acho quase sempre que todos e todas são muito mais legais e melhores do que eu. Detesto competição. Detesto esportes com bola. Amo dançar. Amo cantar. Sou fácil de lidar. Sou mimada. Às vezes penso mais nos outros que em mim. Amo quando estou em ambientes em que me sinto bem para simplesmente ser.

Guto por Sofia



Observador. Crítico. Expansivo. Presença forte, impossível passar despercebido.
Senso de humor. Humor ácido. Humor negro. Humor erótico. Todos os tipos de humor.
Amoroso. Intenso. Libidinoso. Faço bem o que amo. Boêmio. Amo as pessoas, mas ninguém fica imune aos meus julgamentos que se disfarçam de apelidos.
Gosto de expor os outros, mas não por maldade. Sei quebrar o gelo. Chutar o pau. Livre por um lado, preso por outro. Capricorniano. Escrachado.
Hiperativo. Elétrico. Impaciente. Ansioso.
Alegre. Pra cima e avante! Pouco contato comigo mesmo, mas prefiro que seja assim. Terrestre.
Porra louca, mas não cem por cento. 50% Porra Louca, 50% Conservador.
Atirado. Atrevido. Sei conquistar as pessoas. Cativante. Intuitivo. Tenho muito senso de coletividade, gosto da vida em bando. Sei dividir, compartilhar. Sei ficar íntimo em dois minutos e meio.
Ciumento. Machista. Possessivo.
Um pouco egocêntrico e sonhador.

Gustavo por Sofia




Espírito Livre. Ultra - sensibilidade para captar coisas e transformá-las em música. Genioso. Mobilizador. Agrega pessoas à sua volta. Alegre. Inquieto. Desbravador. Se fosse cor, seria vermelho com amarelo. E azul. Se fosse música, Caetano. Mistura do que é forte com o que é sutil. Cativante. Amável. Personalidade forte. Presença de espírito. Idealista. Saca as pessoas. Sabe onde pisa. Se joga, se doa, mas se preserva. Não fala muito dele mesmo. Difícil de criar intimidade.
Cara esse poema é genial...diz muito sobre amizade...alimenta muito nosso filme

...

...

...

É isso. É. quero fazer essa cena.

...

O que acha Tom? O que acha Gustavo?Como exercicio!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Encaminhamentos e Questões

Enquanto desenvolvemos nosso processo e personagens nas tarefas e reuniões, tenho me encontrado com o Diogo para pensarmos a produção e suas implicações estéticas e temáticas no filme. Ou vice-e-versa. Estamos bolando cronogramas, orçamentos e um projeto mais objetivo e bem acabado, com maiores definições para mostrar as idéias e o filme que estamos fazendo para quem não está dentro.

Ontem nos encontramos com a Dô, Sônia Hamburguer, para nos aprofundarmos mais nessas questões. A relação modo-de-produção/Tema/Estética sempre me instigou muito e é parte fundamental deste projeto. Sempre achei um tanto absurdo filmes com propostas e temas altamente distintos serem filmados demaneira tão parecida e dispendiosa. Por conta disso muitas obras se mostram frias, enrijecidas e contraditórias em relação aos seus temas e e olhares. Tal paradigma se reflete em nosso microcrosmo universitário. Ao invés de sermos instigados a desenharmos uma produção que se adeque aos nossos roteiros, de bolarmos soluções baratas e criativas, somos condicionados e nos condicionamos a ter que usar uma baita parafernália muitas vezes desnecessária e a montar uma hierarquia burocrática no set. O resultado é que a criação, a espontaneidade e o improviso morrem, a encenação se torna rígida, nos reunimos no set apenas para executar um plano decupado e colocado numa ordem do dia.

Nosso filme trata de viver como se acredita, de fazer do cotidiano essa busca. Então não faz o mínimo sentido filmarmos de maneira que o meio não seja um fim em si, que não haja prazer, criação e espontaneidade no processo. Isso gera uma infinidade de implicações das escolhas a serem feitas para que isso se dê de fato.

Seremos atores vivendo uma viagem pelo Brasil e nesse caminho desenvolvendo personagens que gostaríamos de ser. Vivendo e represantando a uma vida desejada. Há portanto um forte movimento de descoberta e representação individual de cada um. Por outro lado, como vimos no dia de E Sua Mãe Também somos jovens pertencentes a uma classe e dentro dessa classe, um grupo. Somos brasileiros, mas em determinada instância estamos isolados de muitas das realidades de nosso país, vivendo no nosso Vale Encantado do Rio Pinheiros. Quer queiramos, quer não, isso estará presente no filme. Só temos a ganhar se encararmos isso de frente, escancarando todas as questões e contradições que isso abarcar. Portanto iremos nos representar enquanto grupo também.

Pode parecer que não, mas o viver como se deseja e a auto-representação enquanto indivíduos e enquanto grupo geram milhões de questões estéticas e de produção.

Na nossa 1ª reunião lá na Ilha, o Gomgom muito espertamente colocou o problema de pensarmos nosso meio de transporte: Se viajaremos juntos, é muito importante que o meio de transporte concentre todos num mesmo espaço dramático, afinal muita coisa vai acontecer enquanto estamos na estrada. Isso me levou a pensar várias soluções. Uma kombi é muito barulhenta, um furgão fica todo mundo olhando pra frente. Um dia dei de cara com uma capa de um Road Movie e a solução pareceu brilhar na minha frente: um trailer.

Pronto, perfeito. Um espaço dramático único em que todos pussem se sentir mais livres para interagir e se movimentar. Além disso o trailer me parecia a metáfora perfeita para o nosso grupo: Pessoas numa casa que viaja pelo Brasil, mas que preserva um tanto de isolamento.

Porém essa solução se mostrou muito cara e logo se tornou um problema. Para solucioná-lo pensei em buscar grana pelas leis de incentivo e apoios. Ir por esse caminho pode ser uma solução, mas também tem muitas implicações. Significa se comprometer com pessoas e instituições que não estão envolvidas diretamente com as nossas questões pessoais, de grupo e cinematográficas. Até então o compromisso que tenho é com nós mesmos e pretendo nesse semestre estabeler um outro com a Universidade. Com nós mesmos por irmos a fundo num processo e numa experiência que nos propomos. Com a Universidade por este projeto estar fundamente voltado à minha formação e à uma pesquisa de linguagem e modo de produção que fecha meu ciclo lá e que quero que esteja veinculado à ela, por ser o espaço da pesquisa e da experiência por exelência, apesar de nesses três anos ter se mostrado mais o espaço do ensino técnico.

Eis algumas questões que o Diogo, a Dô e meu pai me ajudaram a ver mais claramente.

Não faz sentido buscar apoio financeiro se isso de alguma forma comprometer o caráter experimental deste filme, se implicar na perda de liberdade de modo de produção, de atuação, de viver. Se perdermos a liberdade de errar, de tentar fazer um filme de maneira particular, única. Todo o filme é único, portanto não há porque filmarmos igual.

Nada está descartado por enquanto. Mas o trailer ou qualquer outra coisa não pode custar o nosso espírito de aventura.

Pensei que podíamos ir de ônibus mesmo, misturados na galera, interagindo mais intensamente com pessoas de fora de nosso ciclo.

Convido a todos a opinarem sobre essas questões.

O Processo: 3ª Reunião

A terceira reunião ocorreu no do domingo 31/01. E foi incrível.

Como combinado levamos as descrições que fizemos uns dos outros e de nós mesmos e filmamos a leitura dessas descrições.

Através do que foi escrito, das palavras e das escolhas, muito foi dito sobre quem era descrito e sobre quem descrevia. Mas o que foi surpreendente foi ver as relações entre as pessoas se definindo e se revelando. Novos contatos e olhares estão se fazendo.

Bom, gravamos tudo, logo teremos uma edição desses vídeos. A idéia será brincar um tanto, confundindo que descreve com quem é descrito. Os textos na íntegra estão sendo postados no blog, faltam algns ainda.

Ao fim da noite, definimos as atividades para esse nosso recesso:

1) Cada ator deve bolar um roteiro/mapa de viagem ideal para si.

2) Cada ator deve criar um personagem que gostaria de viver nesse trajeto. Totalmente livre.

3) Fazer um levantamento de imagens significativas, imagens que por mais que não se tenha explicação racional, o ator sinta que de alguma faça parte de seu imaginário. Ex.: Sempre tive facínio por abrir o olho em baixo d'água e ficar lá o máximo de tempo, vendo as bolhas meio geometrizadas. Sempre me atrai pelo mistério das florestas e lugares que ninguém alcança.

A próxima reunião será no domingo dia 21/02, 20h00. Local a definir. Vamos mudar um pouco ou assim tá bom?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

para wagner

wagner,
segue o poema do leminski do qual te falei.
beijão
galo

arte do chá

ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo

ele veio
meio a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo

p.leminski

galoXgalo

galoXgalo
Meu encontro com Dani. Os primeiros e os últimos discos do Caetano. Transa. Cê. Tudo de Leminski. Belvedere de Chacal. Bigode em Cotia. Itamar.Uma vontade forte em viver só de música.O fio de conta de Oxóssi. Uma mulher não deve vacilar. Mais nãos do que sins. O All-Star de Romeu & Julieta.Angústia em não saber lidar com a grana. Minha mochila azul e preta. O caderno conglomerado. Detetives selvagens. Não saber parar. Minha casa na Baleia. Andar pela praia em noite sem lua. Nunca querer que a noite acabe. Preguiça em acordar. Não falar dos medos.Ter medo do desconhecido. Querer o desconhecido. Existir ao invés de hesitar. Óculos Ray-ban. O Mundo não é chato. Quase nunca ser apreendido. Casa da Pompéia. Partida. Um índio sozinho. Tarde com Guilhermoso. O Louco no tarô. Um louco no coração da música. Contador. Laudelim.Recado do Morro. Rosa. Aquele que se despreparava todo. Nuvejava. “Vou mais no cemitério não”.A ficha caiu.

“Entremente , ia cantando (...) ao que se podia arejar, cabeça e o corpo ganhando em levezas. Gostava daquela música. Gostava de viver”

Cê tava com saudade de mim? E sua mãe?

guto por galo

guto por galo
Quem vem com tudo não cansa. Por isso que eu nunca me cansei dele. Já meteu o dedo na minha cara, bateu no meu peito e tudo mais. Acho que amigo é assim mesmo. Uma relação sem paz nenhuma. Respeito é coisa de colega de repartição. Estes não sabem como é gostoso discutir na madruga sobre um montão de coisas. Mas voltando...Ele é o bárbaro. É ele quem mata a cobra e mostra o pau. Mercuccio. E é sobretudo ele quem me agüenta desde o tempo em que eu só tocava Djavan e Bob Marley no violão e continua suportando hoje minhas ligações a cobrar, minhas variações de maré, de humor e amor. Ele usa meias coloridas, ouve Pena Branca e Xavantinho, além de ser louco, assim como eu, pela Ilha do Cardoso. Está na cara. E quem há de negar que a amizade é superior? Quem vem com tudo não cansa, morô?
wagner por galo
Ele gosta de Tigresa. Por ele gostar dessa música eu gosto dele. Ele gosta de silêncio. Parece aquela foto do Chet Baker sentado com o trompete no colo. Tem olhos verdes. Olhos de poeta vidente, destes que miram a estrada lá na frente. Leminski tem um poema chamado “Arte do chá” no qual dois amigos se encontram e curtem juntos essa amizade sem falar nada um ao outro. Ele deve ter gostado bastante da Ilha do Cardoso. Era o contraponto daquelas pessoas que viajam e carregam consigo as mesmas conversas que travam nos bares de sempre do vale encantado do rio pinheiros. Eu ficava admirando. Paulinho da viola canta “hoje eu quero apenas uma pausa de mil compassos”; Arnaldo Antunes “foi a primeira coisa que existiu”. Mas o silêncio dele é outro. É da tigresa. De quem gosta. E eu fitei meu violão.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Depois da reunião, um desabafo por e-mail..



Tom, amigo querido!

Ontem foi um dia tão difícil. E quando eu cheguei você me carregou no colo e eu achei de novo tão legal que essas coisas acontecem. Sem você saber que meu dia estava sendo difícil, assim como naquele ano novo que você me abraçou - sempre bom estar perto de você nesses momentos.

Quando meu pai morreu eu tive uma sensação de alívio, de alegria por viver coisas tão profundas nos ultimos dias dele, e chorava sorrindo.

Hoje, depois de quase 2 meses minha sensação é de desânimo, falta de fé, falta de alegria, falta de vontade de viver e muuuuita saudade da presença física dele. Saudade de mim também antes da morte, saudade da minha esperança e da minha vivacidade. Pra quê tanto amor se tudo acaba um dia não é mesmo? Muitas vezes me vejo nesse pensamento... sei também que é uma fase e sei tb que logo mais estarei melhor, mas essa sou eu hoje em dia e não me gosto assim, não me gosto sem pai, não me gosto sem sede de vida...

Tá difícil fazer tudo. Amar, viver, criar, estudar, trabalhar e principalmente trocar. Mas não desisti,
e pensei que talvez eu possa ser útil para o projeto e o projeto útil para mim se realmente eu poder ser quem eu sou agora: triste e sentindo muito a falta de um amor da vida.

É virar adulta,
é muito viver no mundo dos adultos
ai ai

Te amo
Adelitinha.

A resposta chegou à noite...

Adelita, as vezes eu acho que uma das maiores liberdades que falta a gente se dar é a de ficar triste. De fato é um impasse, porque a gente nao pode dar muita corda pra tristeza. Mas entre tudo o que eu tô descobrindo ultimamente, acho que o principal é que todo o prazer e sentido das coisas está no caminho, no meio, e não no fim.

E o caminho a gente faz, mas também tem a parte que é a travessia e suas curvas: destino? acaso? A falta de um amor da vida, o nascer de outros inesperados. E a gente tem que viver isso também. E você está vivendo. Sentindo tudo.

Eu ouvi e admirei, apesar de estar vidrado no computador, tentando explicar o blog, quando você falou que estava com saudade do seu pai, que não ia sair por causa disso.
Então pronto. Em nenhum momento te senti menos ali, menos presente que ninguém. Pelo contrário, sempre te senti fazendo parte do que a gente está fazendo. Ontem e sempre.

Acho que a coragem de se ser o que é não é algo que atingiremos no fim do filme, mas vai ser a nossa lógica. É a liberdade de se viver o que se quer, mas também o que foge do controle. Então não se cobre e não fique receosa, porque como você mesma disse, já está vivendo quem é agora. E eu não consigo nem imaginar o quanto deve ser difícil.


"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".

Te amo, intuitivamente, cada vez mais consciente, Tom.


LIA por TOM

Aquela cara é o coração de Jesus. Pra mim não existe rosto mais lindo do que o da Lia. Com suas sardinhas, sua íris cor de mel, suas sobrancelhas, seu sorriso labial. Não é a beleza fácil, óbvia e banal, é a beleza encontrada que só a intimidade pode ver. É a beleza que traduz a criatura mais encantadora do mundo. E se toda unamidade é burra, a Lia é a exceção à regra, pois quem não gosta da Lia é um imbecil. É que nem não gostar de golfinho.
E quanto mistério tem a Lia. Tão entregue aos outros por um lado, tão sedenta de estar com os amigos, de estar no mundo, na rua, no bar, com o Banzé cachorrinho, com o Biro. E por outro tão guardada para si mesma, receosa do perigo, que nem a Lia 2 consegue encarar. Às vezes prefere o platonismo ao gosto do real.
E sempre me deixa maluco, preocupado, quando fica desvairada, Lia 2, 3, 4, e também quando resolve não comer. "Não tô com fome, mano". Drankoréxica. Não, não é. A Lia é inclassificável. Não come porque não quer, não tem nada a ver com magreza. É uma taurininha teimosa que só.
Eu sonho com o dia que a Lia vai se libertar. Não é arrogância, eu bem sei que ela quer, assim como eu. Às vezes eu acho que falta ela se amar como ama cada um que ela conhece e como quem conhece ama ela. Mas não sei se é isso. A Lia não é a estudante de pedagogia, não é a sapata, não é a Bobó Jamaica. A Lia é a Lia. E vejo nela um orgulho de ser, um irredutibilidade perante ao clichê. Isso permite a liberdade de ser o que quiser, liberdade que só falta se dar.

GALO por TOM

Ele me olha fundo nos olhos e diz:
- Não Zezé, você não é o Urutu Branco.
Eu sinto que aqueles olhos claros entram fundo na minha alma e podem ver o que quiserem, se quiserem. A gente tá loco de doce e o filho da puta sabe o que eu tô pensando. Me avexo, não encaro. Tenho medo do que ele possa ver.
Tem uma coisa que eu acho linda na Umbanda e no Candomblé, mesmo conhecendo muito pouco dos dois, que é que para além do misticismo e espiritismo, os orixás são metáforas, representações de tipos e estados da natureza humana. O mesmo com a mitologia grega, só que os orixás são mais brasileiros. Eles são espertos, traiçoeiros, alegres, guerreiros, enfim, são feitos da mesma coisa que a gente.
Eu não sei qual o meu orixá, nem lembro qual é o do Galo, mas o dele tá sempre passando uma rasteira em mim, não pra me ver no chão e rir, mas como quem diz:
- Fica esperto, meu filho!
Eu sinto que a gente conversa com a boca umas coisas e outras com a alma.
O Galo não tolera a apatia, o cansaço, o tédio, a tristeza. Às vezes até enche o saco. Porra, me deixa dormir, eu sou low battery mesmo. Mas sei que isso é porque ele sabe que quando a alma veste luto já não luta, e ele não quer dar a mínima chance disso acontecer com ele e com quem ele gosta. O Galo, 'Gustavo!', é um guerreiro, guerreiro da liberdade e a sua luta é leve, elegante e alegre. 'Hihihihi', ele ri da graça, da malícia e da adversidade.
O Galo é bonito, ainda mais quando corta o cabelo. Tem um peito aberto, é esguio e quase alto, hihihi. Dança na ponta dos pés e apesar de ficar falando do Dan, também é mó pintudo, quer dizer, vai saber o que tem naquela sunga colorida.
Mas tem uma coisa que é foda. Ele é geminiano. Bom, ninguém é perfeito. Às vezes entra numas e não tá nem aí se o seu humor não tá batendo com o mundo, o mundo que se lixe.
E além de tudo ele compõe umas músicas e letras lindas. Poetão mesmo. E músico de verdade, desses que casam o som e a palavra. Só acho que tá na hora dele dar uma estudada numas harmonias diferentes, que isso vai levar ele a poder crescer sua gama de assuntos.
Sua música, sua arte, sua vida são plenas de tesão pelo mundo, pelos outros. O Galo é lindo, e sabe viver.

MARCOS por TOM

A história de vida do Marcão é uma das mais incríveis que eu conheço, pelos fatos que a compõe, que a fazem singular, mas principalmente por ela ser feita totalmente por uma iniciativa própria, de criar o próprio caminho e destino. Menino de Foz do Iguaçu, crescido em Jales, o Marcos fez a si mesmo. Podia ter ficado por lá, mas não, quis ir além das ruas de paralelepípedo e foi morar no Japão, na Austrália e em São Paulo, essa babilônia. É um dos poucos amigos meus que não é do Vale Encantado do Rio Pinheiros, pelo menos não de origem. E não há julgamento nisso, Jales deve ter seus prazeres, ele sabe melhor do que eu e os reconhece, mas o Marcos precisava e precisa ainda ver novos mundos, novas pessoas, novas experiências. Elas o alimentam constantemente, mas a fome não parece próxima de cessar.

E esse lance de reconhecer os prazeres nas coisas mais distintas me faz admira-lo ainda mais. Ele vê a beleza de Jales e de São Paulo, do Japão e do Brasa, como ele mesmo diz, da charmosa e da desengonçada, do futebol e do papo sério, do erudito e do popular, do intelectual e do braçal.

Por falar nisso, o Marcão é um dos maiores cabeções que eu conheço. Literalmente e intelectualmente. Lê pra caralho, de tudo, inclusive umas cascas grossas que eu não encaro não. Jaques Aumont, tá loco! Tenho até um pouco de inveja. Mas ele não se prende a dogmas, cada vez mais o vejo tendo o jogo de cintura pra ver que o mundo e a arte são mais ricos e complexos que todos os modelos explicativos da ciência, que todas as propostas estéticas, mesmo sabendo que é importante nos identificarmos com algumas delas. Mudou muito nesses três anos que a gente se conhece, no começo era mais travadão, né não Marcão?

O Marcos é muito mais complexo do que as minhas palavras poderiam expressar. Ele ama as mulheres de uma maneira toda sua, misturando um olhar artístico e idealizador com um sentir e viver simples e inexpressáveis. Fez um vídeo lindo quando terminou o seu recente namoro, tirando beleza do prazer e da tristeza, misturando a vida e a arte. É um artista em constante formação e que se arrisca entre a pretensão e a despretensão. Foi operário no Japão, lavou pratos na Austrália e veio à São Paulo estudar para dizer ao mundo o que tem pra dizer. Acho que o Marcos já é um aventureiro faz tempo.

TOM sobre TOM

Bom, eu sou alto, moreno, com cara de turco. Adoro o cinema pois adoro me emocionar, ver visões lindas, sensíveis do mundo. Sem emoção não tem tesão. Esse papo de que a emoção engana o espectador pra mim deu no saco, o cara senta ali porque quer se emocionar, porra. Por isso às vezes fico de saco cheio e tenho vontade de virar cozinheiro, velejador. Mas não, agora é a hora de botar a cara no mundo e fazer do jeito que eu e meus comparsas acreditamos, solto, gostoso, consciente e sem culpa das contradições. Os chatos que façam cinema chato, de ver e de fazer.

Mas era pra eu me descrever, né? Acho que o principal é que sou um puta dum cara ansioso, isso é uma bosta. Às vezes os projetos e sonhos me enchem de tesão e alegria, mas na maioria do tempo eu tô só me cobrando para realizá-los. Por isso eu fumo que nem uma puta presa. Aí o que rola é que muitas vezes não curto o momento, ou não me deixo levar. Me falta as vezes um senso de realidade. As coisas passam e eu sinto que vivi, mas que não senti fundo. É estranho. Mas é isso aí, tô botando a cara no mundo com esse filme, como visão de mundo e cinematográfica. Tem muita coisa pra planejar e concretizar, pra fazer com propriedade e consciência, mas é preciso também uma camada de deixar rolar, sem pensar. Eu penso muito. E como diria o Guto e o Roberto Freire: Penso, logo hesito.

A gente vive a procura da liberdade, em vários âmbitos, e quando ela aparece, seja na escala ou no âmbito que for, a gente fica perdido, não sabe como lidar. Que sintoma estranho, não?
Descrição de Guto sobre Galo

Um cangaceiro Rock and Roll.
Intersecção do intelecto com o intuitivo motor. Já suas emoções ficam mais guardadas lá no fundo.
Interessado, atento, vivo! Teimoso...
É bem difícil o convencer do contrário, mas se com o tempo a coisa for digerida, ele é capaz de enxergar o que não enxergava, só não sei se assumiria, Acho que poucas vezes.
Ele cansa um pouco das pessoas. É uma pessoa de fases.
Admirável por ser alguém que sabe muito bem o que veio fazer aqui. Para que veio ao mundo.

Descrição de Guto sobre Sofia em 1ª pessoa

Ééééé...
Rs...
Sou virginiana. Mas na hora da comida não tenho nenhum problema em botar no mesmo prato arroz, feijão e macarrão. Minha organização ta ligada à poesia, à criação. Sou um paradoxo. Acho que muitas vezes demonstro não ter aptidões que na realidade eu tenho. Acho que é joguinho de não tô nem aí, assumo, mas na verdade, aqui dentro as questões importantes são devidamente deliberadas. Isso não significa que sou intransigente, aliás, não precisa de muito esforço pra me convencer de que um rosa pode ser laranja. Com as palavras eu tenho mais intimidade, sou um pouco mais rigorosa, mas basta ter beleza que me ganha, abro um sorriso leve e mando um “ai que lindo”. A beleza é uma das coisas que mais me atrai. A inteligência também, me estimula.
Ummmm.. Quê mais?
Um dia me disseram que boto os pés pelas mãos, mas acho que isso ta no meu jeito meio hedonista, é, sou um pouco hedonista, cada passo de acordo com cada desejo, intuitivamente meus sentimento ditam a regra do jogo. Mas é claro que existe dúvida, MUITA dúvida, deve ser pra, justamente, policiar esse meu jeito. Acho que tem a ver com amadurecimento também, mas agora a dúvida é: Será que isso não significa castrar a liberdade? Acho que sim, mas talvez seja uma exigência da vida em sociedade. Chato, né? Politicamente também sou libertária, e acredito na resistência, na luta.
Chega.
Ah, meu filme preferido é: (falar o filme predileto).
Descrição de Guto sobre Wagner

Olhar certo por ser incerto e contemplativo.
Enigmático e atraente. Benevolente. Convida-nos para um mergulho adentro.
Sincero com seus sentimentos. Uma pessoa não muito orgulhosa nem muito ciumenta, que tem consciência de suas qualidades, na verdade, de suas preciosidades.
Disposto a aprender e ensinar sem muito juízo de valor, mas com valores originais, de mãe, de pai, da vovó, do vovô. Do bairro que nasceu.
Sem saber o quê fazer com as habilidades sente medo. Mas ainda sabe que pode voar e ir pra muito longe e ainda, o mais difícil, voltar quando quiser. Só depende de um tempo, de uma maturidade, de uma raiz um pouco mais regada e fortalecida por ele mesmo. É só sacar que depende dele mesmo e que, na verdade, é ele o responsável por sua amabilidade incontestável.
Uma pessoa fácil e gostosa de conviver.
Auto descrição Guto

Eu?
Eus...
Da noite.
Ansioso!
Que difícil tarefa essa, não?
Um que sabe mais sobre os outros do que a si próprio.
Pode parecer pretensão, mas tenho facilidade em “ler” o “ser” alheio. Eu sinto, saco os outros. Não sei...
Mas sobre eu mesmo. Sei lá...
Do Pacaembu à Aloca.
Sou do tipo bom comunicador. Sensível, esperto, persuasivo, inculto. Daqueles que conseguem o que quer. Satyro. Fingidor.
Alegre, medroso, às vezes inconseqüente.
Adoro beber! Sinto-me livre quando estou alcoolizado. Nesses momentos formo uma figura interessante sobre mim para os outros, mas que muitas vezes desconheço.
Conheço sim, esse desejo de extravasar, ir além, sem compromisso. Mas no dia seguinte a ressaca, a família. Sou conservador pra caralho! Que dilema, que contradição! Um libertário conservador? Que piada.
Tenho necessidades primordiais, intuitivas que se chocam com as necessidades estruturais, sociais. Será que todos são assim?
Dizem que sou abstrato. Entendo, mas a lógica faz parte da minha vida. A matemática, a terra. Sinto que preciso decolar! Mas sempre voltar, aterrissar e me perder pra me encontrar novamente.
Sinto amor pelas pessoas, carinho, vontade de abraçar, beijar e apertar. Gosto mais das pessoas que das paisagens, mas mesmo assim adoro as fotografias materiais. Adoro a natureza! Que ridículo.
Durmo bastante, mas são sempre sonhos incompletos, cortados pela ansiedade de viver. Um viver que às vezes é platônico, idealizado. Mas o tesão de viver intensamente está sempre presente. No meu olhar, no meu ritmo, na minha voz, no meu corpo.
E o medo da morte sempre ao lado, de dentro.