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segunda-feira, 29 de março de 2010
Do Grande Sertão, disse Riobaldo:
e mais
"Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da Travessia"
Porque faz tempo que ninguém coloca nada aqui e porque acabei o livro.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Isabel por Gongom
Daí que a bel tem uma coisa de passarinha que é muito claro na minha cabeça e no jeito que eu imagino ela quando eu paro pra escrever essas descrições de filme sabe? Ela é pequena e dá vontade de cuidar e de proteger ela das coisas, da chuva, dos raios e das situações desconfortáveis da vida. Mas isso é uma isabel conceito, meio antiga, isso é irmã da helena, é amiga das namoradas do pessoal da banda, isso tudo é aquela menina engraçada e não exatamente sóbria que eu adorei quando eu conheci, isso é bobagem.
To vendo e não é de hoje que vem uma outra por aí. Aliás, já ta começando a passar, ó.
Tem um monte de coisa nova na isabel que eu nunca tinha visto, metade porque até então eu não tinha olhado direito e metade porque essas coisas são novas mesmo, coisa nova que nem ela sabe que tem. Precisa ter coragem pra entrar nessas, ainda mais assim, sem lenço.
Frescor juvenil titubeante, todas as possibilidades pela frente, frios na barriga e um mundo atrás da porta igual ao da elisa, iguaizinhas.
A gente é o seu mundo bel, vem.
Galo por Gongom
O galo é um puta deslumbradão, no melhor sentido da coisa. A gente senta, bebe dois fernêsss e ele começa a viajar, a especular um monte de coisas sobre o futuro, sobre os projetos, a banda, o filme, a peça, o ensaio, o apartamento, tudo. Vira um bobalhão encantado com as coisas do mundo, com a vida, com as possibilidades, com todo monte de gente maluca que a gente sempre conhece junto. Ceis percebem que ele vai virando um pouco as pessoas que ele gosta? Genial essa mistura de reverência e referência que ele faz.
Acho muito gostoso conviver com esse galo que tem coragem de abaixar a guarda. Tenho certeza que é por isso que ele vê um monte de coisa que eu só percebo depois, quando ele canta.
Galinho... eu nem lembrava mais que no começo era galinho... Não foi o guto que inventou esse apelido. Ele me lembra o zico: a batata da perna e o jeito de olhar são quase os mesmos.
Acho que é por isso que eu não paro de pagar nem os choppes nem as ligações telefônicas.
Eu por Mim. (Gongom)
-E aí, vai fazer logo ou não?
Vou calma to terminando de pensar um negócio aqui...Já sei! Entendi tudo.
Eu to desarrumando tempo pra fazer essa auto descrição faz tempo já. Eu to ocupado ultimamente, de verdade, to com um impulso novo de coisas pra fazer, de dormir menos, de ir mais direto de um lugar pro outro, sem parar.
E é um saco ter que ficar provando pra todo mundo isso, ao mesmo tempo que eu não paro de me enganar com absolutamente tudo o que eu faço. Tem gente que não sabe mesmo do sentido das coisas que faz, eu sei muito bem e crio outros super lógicos pra contrabalancear. Ah, eu faço muito isso que eu acabei de fazer, começo uma coisa e não termino nunca porque ela sempre vira outra no meio e vai indo sem parar para o alto e avante.
-Tá, ficou legal até agora, meio sério meio engraçado, meio espertinho, mas avança de uma vez porque você fica falando a mesma coisa e não sai do lugar e tem gente que não tem paciência pra ler tudo e vai pular esse parágrafo.
Bom, voltando ao ponto, eu odeio ter que me confrontar comigo mesmo, ter que decidir:
- Crise Existencial, esse é o Pedro. Lembra que eu disse que queria apresentar vocês?
Sempre achei que vocês iam se dar bem...
Calma! Tá, aí tem essas coisas que de tanto todo mundo falar, você para pra pensar sobre você e se convence de que você é realmente muito isso, e que não é a toa que todo mundo fala. Tipo que eu sou engraçadão e que eu sei muito sobre umas coisas absolutamente desimportantes tipo televisão, cultura pop, sub-celebridades, comida, bebida, ar condicionado, conforto, estar fora de forma, não pegar cor, auto medicação e hipocondrismo, estados unidos, bateria, drogas, vídeo game, música eletrônica e reality shows. Mas cara, eu tenho essa coisa ponderativa Cléber Machado que o galo fala, pra mim é fácil botar uns panos quentes e por isso, mais ou menos do mesmo jeito que a lia, eu gosto de verdade de quase (quase mesmo) todomundo. Aí que eu tenho um monte de grupos de amigos e em cada um eu sou muiiito diferente e assumo outro papel: tem o pedro o ph o gongom o peu o pedro henrique. Juro que eu sou o hippie dentro de outros círculos sociais, dá pra acreditar?
-Ah vá, todo mundo é assim, você se acha e não entende que o denominador comum é que é você de verdade.
Eu sei, mas eu tenho essa coisa de querer ser diferentão e não me constrage assim na frente deles.
- Mal.
Pô, me perdi aqui... Ah, sérias dificuldades para dizer não. Eu não tenho a mais parca idéia da hora exata de parar, só a possibilidade de existir alguém fazendo alguma coisa mais ou menos legal sem mim me assombra. Aí eu lavo o rosto e vou. é isso, e eu sou barbudo, confuso, tímido, expansivo e o mais sóbrio dos malucos.
- Ainda tá faltando coisa, mas deixa no ar que é legal.
ainda descrição. Adelitinha por Lia
Tenho tristezas, mas vivo de amor. A ele eu escrevo, performo, eu o leio.
Visto figurino e danço até raiar o sol, ou durmo e sonho em silêncio. Eu sou muitos verbos, em muitas conjugações.
Sou forte, sou linda. Não deixo passar, quero saber de tudo. O tanto é tão pouco, sempre quero mais! Ou então não quero nada. Tenho tristezas, mas vivo o amor.
Eu sou coração e balanço, pai, mãe, irmãs, namorada. Sou amiga.
Sou sorriso, olhar doído e colorido. Sou atriz na minha vida. Clarice; sou isso.
Vida não tem sinônimos, tem laços, tem curvas e eu sou a estrada.
"Quero lonjuras. Minha selvagem intuição de mim mesma. Mas o meu principal está sempre escondido. Sou implícita(...)"- Sou Água Viva.
Tenho em mãos meu próprio mundo, mas gosto de dividí-lo.
Gosto de sentir e ser; gosto de amar. Quase não caibo em mim.
Eu sou Adelita
sexta-feira, 19 de março de 2010
De dentro de fora
Na nossa última reunião, conversando sobre questões relativas ao nosso destino (o destino da viagem mesmo, não esse maior, Destino...), percebemos que a viagem, até agora, não possui um ponto de chegada. OK, sempre tivemos a Bahia como objetivo. Mas ainda não tínhamos chegado a um consenso sobre QUE lugar é esse que queremos ir e POR QUÊ queremos ir para esse lugar. Até aqui, o que mais nos interessou foi o caminho para chegar sei lá em que lugar, o percurso, o processo que vai nos levando a ir nos conhecendo mais e mais, explorando os limites das relações, entendendo até que ponto realmente conhecemos o outro. Para isso, os exercícios que fizemos até agora tiveram muito mais este objetivo do "olhar para dentro". Descrevemos uns aos outros, ouvimos as descrições sobre nós, vimos a nós mesmos e aos outros através de diferentes prismas e olhares. Fizemos cenas sobre as nossas relações, conversamos sobre isso, enfim, começamos este trajeto por saber um pouco mais destes que, aparentemente, conhecemos tão bem e há tanto tempo (e isso se revelou tão surpreendente! Aquele que eu penso que conheço e não sei nem descrever e aquele que descrevo tão facilmente e me cai uma ficha linda de "nossa, como conheço essa pessoa!). Certo.
Na última reunião, sentimos que a etapa "olhar pra dentro" está se concluindo e que agora a nossa nova empreitada começa com o "olhar pra fora". Enfiar a cabeça pra fora da janelinha do carro, pesquisar paisagens, abrir os mapas, desvendar as trilhas, os caminhos, as cidades, os rios e este Brasil que é nosso objetivo-mor. Cada um tem como "tarefa" agora, trazer lugares que queira conhecer, pesquisar no Google, nas enciclopédias, revistas, trazer fotos, histórias e vontades deste para fora tão imenso e a princípio distante e desconhecido. Para dar uma mãozinha, vamos chamar o incrível Israel, pessoa mais indicada pra nos falar de lugares escondidos Brasilzão adentro.
Portanto, que venha o próximo passo: olhar para o mundo! E desejá-lo!
quarta-feira, 17 de março de 2010
Diabão
Contribuição da Joana!
Eu também vivo disso. Vivo de investir nas relações, de criar vínculos, de aprofundar, de aprender o máximo possível. Vivo tentando ser coerente com o que eu acredito. Vivo querendo ir além, arriscar, quebrar as paredes. Me visto de professora e vou lá falar pras crianças que não existe só uma verdade, que dentro do ouvido tem o martelo, a bigorna e o estribo e que essa história de descobrir o Brasil é a maior mentira. Vivo digerindo uma Argentina que revelou meu certo e meu avesso.
Vivo, como vocês, explorando os outros. Inventando múltiplos eus e analisando os eus dos outros. Vivo criando conflito e vivendo dele – ainda que eu morra de vontade de ser dentista às vezes!
Mas o grande lance é que a vida é curta e o demasiado humano transborda dela o tempo inteiro! Que a pessoa escreve um TCC sobre poiésis e tem que correr atrás de um aluguel mais barato da noite pro dia. O foda é que o tempo urge e, se a gente não escuta Caetano no caminho do trabalho, não dá pra agüentar. E que se não tivesse os amigos no Biro na sexta, a segunda seria certamente impossível.
Enfim, tudo isso pra dizer, que assim como a Luanda, eu to admirando vcs, estou sendo tocada por isso e me deu vontade de compartilhar. Porque esse mundo que vcs criaram é um lugar privilegiado, é uma ilha com lago dentro do vulcão, é canto no dia de chuva, é purpurina no cotidiano e é a gente dividindo a casa com a gente mesmo.
É disso que eu vivo. De acreditar nessas coisas e de fazer elas acontecerem.
Um beijo.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Isabel por Lia
domingo, 14 de março de 2010
sair dentro entrar fora
Creio que seja isso e deixo aqui uma reflexão.
Filmar em São Paulo. Pontos significativos da vida de cada um.
Casa, apartamento, trabalho, etc.
Sem mediocrizar as coisas.
Método que define a natureza da relação com o outro.
Achei isso sincero, significativo, importante.
A viagem é exceção de qualquer forma, não?
sexta-feira, 12 de março de 2010
Alex / Sebastião
http://www.youtube.com/watch?v=ykv2wkiPBWw
http://www.youtube.com/watch?v=FzZa3_qdwpM
O texto lido no dia já segue abaixo:
ALEX / SEBASTIÃO
Meu nome é Sebastião. Cresci e fui educado a bordo de um veleiro cuja capacidade era de 6 pessoas. Até meus 5 anos de idade éramos eu, meu pai, minha mãe e um casal de amigos franceses, Jean e Marianne. Eles são meus pais adotivos. Dos meus pais verdadeiros, não lembro se quer dos seus rostos, tampouco guardo nenhuma foto. Faz 20 anos que eles morreram. Ela se chamava Marina e ele João. Obviamente não tiveram muito tempo pra me ensinar muita coisa, mas o principal eles fizeram: aprendi a falar em português, português do Brasil. Eu sei que meu sotaque é meio estranho, mas isso é porque meus pais adotivos, o Jean e a Marianne é que me educaram. Além disso, eu nunca vivi no Brasil, até agora.
Esta é a primeira vez que entro num continente a fundo pra falar a verdade, de resto só conheço as ilhas, as costas e algumas cidades litorâneas do mundo. Até 15 dias atrás eu nunca havia ficado a mais de 20 km do mar e creio que até hoje seria assim se não fosse por uma coisa que aconteceu.
Há uns três meses, vindos do Sul, nós costeávamos o litoral brasileiro sem nos aproximar muito. Quando atingimos a latitude de 25˚ 33' sul avistamos duas pequenas ilhotas próximas ao continente. Então houve uma súbita queda de pressão atmosférica, o mar se agitou muito, o vento ficou bem forte e irregular, tornando muito difíceis as manobras no barco. Eu já estava bem ávido para conhecer o Brasil e sugeri que buscássemos abrigo no continente, mas o Jean e a Marianne, sempre evitando contato com a civilização, preferiram ancorar em uma das ilhas. Porém a primeira que nos aproximamos era impossível de atracar, não havia praia, somente pedras contra as quais o mar se chocava violentamente. Na segunda finalmente encontramos abrigo, havia uma prainha e passamos uns dois dias lá.
Quando enfim o Sol veio, peguei o veleiro para explorar as redondezas, enquanto os dois resolveram ficar curtindo no acampamento da ilhota, enfim, essas coisas que fazem os velejadores solitários. Então rumei para a outra ilha inacessível. Tive que circundá-la quase inteira para encontrar umas pedras mais fáceis de subir, então ancorei o veleiro e nadei até elas, elas eram bem planas e formavam uma piscininha, então quando uma onda me jogou, passei em um segundo do nado à corrida para não ser arrastado de volta.
A ilhota era de fato linda, melhor do que eu havia imaginado. Uma mistura de terra e rocha vulcânica exposta, de modo que havia diversos tipos de vegetação muitos próximos uns aos outros: mata de restinga, capins selvagens e densas árvores da mata atlântica. Muitos, infinitos de ninhos de todos os tipos de pássaros marinhos se espalhavam pelas escarpas que davam à ilha o seu contorno de vulcãozinho. Minha vontade era de escalá-la e ver lá de cima o continente que eu tanto queria conhecer.
Quando comecei a subir, logo encontrei um fio d'água que descia dos duzentos metros que a montanha devia ter. Estranhei, era uma ilha muito pequena pra conter uma nascente. Passei então a seguir o fio e quando cheguei ao topo encontrei um lindo lago de águas cristalinas onde um dia deve ter sido a cratera daquele vulcão. Não era água da chuva acumulada e quente, era doce, fresca e corrente. Tirei a roupa e pulei. Haviam peixes nadando ali! Peixes de água doce e eles simplesmente não tinham o mínimo receio da minha presença. Então eu notei uma fenda grande quase no fundo do lago. Era um tunelzinho subaquático. Fui, tinha que ir, claro. A idéia era estúpida e com possibilidades suicidas, mas eu já estava ali e tinha que ver o que tinha do outro lado, se é que havia outro lado. Hiperventilei para ter mais fôlego, correndo o risco de desmaiar e mergulhei. Eram cinco metros até a boca do túnel e então nadei mais dez, ou quinze metros. Tinha que voltar ou ia morrer ali. Mas então eu vi que havia luz do outro lado, pois logo à frente a água passava do negror total para um verde escuro. Quase morrendo e quase 15 metros à diante sai da água.
Estava em um outro lago, dentro de uma caverninha. Pequenas fendas nas pedras iluminavam o lugar que tinha grandes matacões redondos cobertos de musgo. Segui por um corredor e encontrei uma outra sala, quase idêntica, só que sem água. Ao invés de água o que se via no chão eram centenas de livros espalhados. Todos tinham 410 páginas, capa dura cor vinho e o título, sem autor, na lombada. Os títulos eram cada um referente à uma pessoa. 'Livro de Pedro', 'Livro de Bruno', 'Livro de Carlos'. Escolhi no livro de Bruno uma página a esmo e encontrei a seguinte passagem: "Bruno estava com 5 anos quando ficou órfão à bordo do veleiro e estava prestes a ser adotado pelos assassinos de seus pais, Jean e Marianne". Estremeci diante do absurdo vertiginoso. O resto do livro era simplesmente a transcrição de minha vida até ali. O que vinha antes era para mim uma revelação: todo meu passado antes dos 5 anos havia sido inventado pelos franceses. Eu morava no Brasil, em São Paulo e nunca havia pisado num veleiro até a tarde em que meus pais foram convidados por aquele simpático e perigoso casal de franceses que haviam acabado de conhecer em Guaecá.
Totalmente cego tomei aquela história como minha sem nem sequer refletir. O medo e o ódio me deixaram num estado quase convulsivo e eu perdi a noção do tempo e da realidade. Em meio ao delírio me vi indo ao veleiro e matando Jean e Marianne. Foi quando encontrei outro livro, justamente o que levava o meu nome: 'Livro de Sebastião'. O que ele narrava era uma história quase idêntica, com a diferença que até os cinco anos a história era exatamente como eu conhecia até ali, sem que houvesse assassinato. O livro terminava comigo entrando na caverna.
Sucessivamente, fui lendo trechos de outros livros e todos contavam a minha história com pequenas diferenças. Alguns começavam mais adiantados e falavam do futuro, outros narravam até o presente. Em alguns meus pais eram assassinados pelos franceses, noutros os assassinavam e passavam a viver sob sua identidade e noutros se quer existiam, os franceses eram meus pais.
Até que por fim encontrei o 'Livro de Alex'. Ele era diferente, não havia a minha história pregressa. Havia a estória de Alex, que começava com ele saindo de uma caverna em uma ilha, despedindo-se de seus pais e indo para o continente, onde encontrava um grupo de jovens viajantes que viriam a lhe ensinar a viver entre os homens. Alex levava consigo um livro contendo o seu futuro. As últimas palavras que li do livro foram: "...então Alex decidiu parar de ler e começou a escrever".
Dionísio por Galo...
http://www.youtube.com/watch?v=fVtHT4nibYc
http://www.youtube.com/watch?v=IrqhRpqsLIo
quinta-feira, 11 de março de 2010
E-mail da Luanda
| para | Tom Butcher | ||
| data | 10 de março de 2010 23:59 | ||
| assunto | travessia |
Caro Tomzinho,
Personagens: Sereinha da Sé
http://www.youtube.com/watch?v=VW5qkx2xo04
Vai Sereinha!
quarta-feira, 10 de março de 2010
quizumba de dionísio paixão
Preto. 1,80m. 75 kg. Natural do bairro do Bixiga, Rua Abolição, São Paulo. Sem profissão. Faz samba. Gosta de Assis Valente, Ismael Silva, Monsueto e é claro Geraldo Filme. Gosta também de Caetano Veloso e Jorge Mautner. Dá pernada. Curte angu. Às vezes some no Rio ou na Bahia. Foi visto também nas caladas de Buenos Aires. Não gosta de rimar amor e dor. Adora uma pelada. Divide a casa com Galo. Guilhermoso Wild Chicken é seu norte, sua guia. Não tem medo da loucura. Não tem medo da morte. Não gosta de Ivete Sangalo. Nunca foi a Sapucaí. Seus prazeres são outros. Coisas da vida. Sua cor favorita é o vermelho. Seus ídolos são Mick Jagger, Ângela Davis, Madame Satã. Descobriu o rock´roll recentemente. Dançou até o sapato pedir pra parar. Já disse que ele divide a casa com Galo? Só aparece em dia de festa ou loucura. Foi assim que ele voltou depois de uma longa ausência, galopando pela praia deserta. Disse que voltou pra ficar longo tempo. Chegou a hora, segundo ele, da quizumba. Quer cantar.
terça-feira, 9 de março de 2010
Personagens: Tobias
O que surgiu, no entanto, foi muito rico e provavelmente terá continuidade. Estou com dificuldades de postar vários vídeos no mesmo tópico, além de demorar muito. Então vou colocar um por dia.
O primeiro é Tobias, o ladrão performático. Aproveitem.
Lia por Bel
Galo por Bel
sábado, 6 de março de 2010
O Processo: Os Pactários
http://www.youtube.com/watch?v=jQo82NkkLq4
http://www.youtube.com/watch?v=GbCx90o4NB8
quarta-feira, 3 de março de 2010
Sereinha da Sé


Não que seja menina de rua, mas vive dentro de uma fonte que deixou de ter água há uns bons anos, na Praça da Sé. Dessas meninas - menino que vemos por aí. Mora mesmo ali dentro, por isso é conhecida nas redondezas como a Sereinha da Sé. Quando chove é a desforra. E quando chove muito, a fonte até enche um bocadinho e ela se esbalda brincando de ser a sereia que gosta de imaginar. Sereinha do cabelo curto, que canta nas calçadas durante o dia pra ganhar a vida com uma vozinha chocha - e o povo até que se compadece e lhe descola algumas moedas pequenas. Mas quando chove, aí ela se inspira e bem que solta um vozeirão de menina adulta, de menina mulher que encanta os que tem a sorte de flagrar a cena. Flagrar, porque não é para os outros que ela canta assim, é pra ela mesma, quando se sente feliz e imagina longas madeixas ao invés do cabelinho curto desgrenhado e uma calda linda e verde esmeralda no lugar das pernas. Claro que o seu sonho é conhecer o mar. Como foi parar lá dentro da fonte da Sé, é estória que os outros gostam de imaginar. Cada um tem sua opinião, chute, e outros dizem que sabem mesmo: que ela foi largada ali de bem pequeninha e que não conhece outra vida, outro lugar. Nunca saiu do centro da cidade, de onde conhece cada canto, cada esquina, cada boteco, cada pedinte, cada puta, cada cão sem dono, cada menino de cola, cada poste, cada cuspe, cada avenida, cada ponto de ônibus, cada casa de suco. Mas nunca viu coisa nenhuma diferente de canto, esquina, boteco, pedinte, puta, cão, moleque, poste, cuspe, avenida, ponto e suco. Nunca viu o mar, por exemplo. Nunca viu areia da praia sem ser em capa de revista, nunca viu duna, nunca viu céu despoluído, mata virgem, estrelas no céu nunca nunca viu. Nem imaginar, imaginou. Imaginar como, se não sabe que existe? Aí seria invenção, não imaginação, então ela prefere nem tentar. E se contenta com seu tanque seco, com sua voz murcha, com o fato de ninguém saber seu verdadeiro nome. Se contenta com noite sem lua e com as luzes que nunca a hipnotizaram.
E naquele dia foi ela quem hipnotizou um bigodudo chamado Zeus que surgiu de combi do meio do temporal para levá-la dali pra bem longe. “Quer conhecer o mar, Sereinha?”, perguntou o desconhecido. “Que que você acha, tio?”. E assim, enquanto cantava ia subindo a bordo da combi 1985 do tiozinho do bigode simpático. “Pode fumar aqui, tio?”. “Você pode tudo, Sereinha. Não tá vendo que eu sou a sua salvação. Agora vamos buscar os outros.” Ela nem perguntou nada. Não tinha nada a perder, afinal de contas. Não sentia apego nenhum pela fonte da Sé – é, ela não teria do que sentir saudades. Queria mais era ir ver o mar, e iria mesmo achando que aquele tiozinho vestido de salva-vidas podia muito bem tá enganando ela. Ele parecia inofensivo. Ela tava acostumada com coisa pior. Queria mesmo era andar de combi pela primeira vez. “Tchau Sereinha da Sé” – gritava com a cabeça pra fora da janela, e depois ela abria a boca e deixava a água da chuva entrar. “Agora eu vou ser a grande sereia do mar!”.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Comentário sobre esse último post de Zezé..
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
O Processo: 4ª Reunião
Primeiro vimos o filme Old Joy. Como sempre o filme foi visto com um objetivo específico, que no caso era atentar para as possibilidades de encenação de questões pessoais nossas, enquanto atores de um documentário: como transformar em cenas os conflitos e relações entre as pessoas do grupo? Essas questões devem ser explicitadas ou ficarem no subtexto?
Para explorarmos estas possibilidades, foram feitas duplas entre os atores, as quais devem construir livremente cenas que falem um pouco de suas relações. A apresentação e gravação destas cenas ficaram marcadas para daqui duas reuniões (07/03/2010) . As duplas definidas foram: Adelita e Guto, Galo e Wagner, Lia e Tom e Pedro e Sofia.
Mas, como todos os filmes, Old Joy suscitou muitas outras questões além das quais nos propomos a atentar a princípio. O filme se constrói num ritmo muito próprio, onde parece haver uma convergência entre dramaturgia e visão política muito bem pensada. Há muitos silêncios, planos longos, que atuam simultâneamente na construção da distância e desconforto que se estabeleceu entre os dois amigos (que depois são resignificados como uma harmonia silenciosa, uma relação de amizade não explicativa entre os dois), mas que são também uma afirmação do diretor de que é possível fazer filmes que se permitam um ritmo que demande do espectador um envolvimento voluntário maior, que não sacrifique a delicadeza do assunto, a sutileza das relações por conta de um ritmo comercialmente mais eficaz, por assim dizer. O fato é que pode-se dizer que a industrialização de tudo é um subtema deste filme, o qual ele aborda e ataca fazendo-se de forma barata e expondo escolhas (ainda que muito pequenas) que vão de encontro a uma opção de vida altamente consumista. Um filme barato então, que se faz possível e relevante sem ter que girar uma enorme quantia de dinheiro e energia em torno de si.Isso nos abre infinitas possibilidades. Não acredito que o Travessia terá um ritmo parecido, pois a natureza de nossas relações é, digamos, mais frenética. Mas nos mostra a caminhos e possibilidades, a força e relevância que pode haver numa obra que não se paute por atingir milhões de pessoas, mas em ser profunda e coerente para o número de espectadores possível de se atingir sem se imbuir de uma lógica industrial, tanto na produção, como na linguagem.
Depois falamos um pouco sobre os personagens que criamos, mas deixamos para explorá-los melhor na semana seguinte.
A próxima reunião será domingo que vem, às 20h00, na casa do Guto. A idéia é que gravemos 'entrevistas' sobre os personagens criados e depois nos debrucemos sobre o mapa para começarmos a traçar nosso roteiro de viagem. Até lá.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Lia por mim mesma
Sou vários.
Há o que faz, o que distrai
sou tantos...
versos tortos, verbos soltos
dia um, dia outro
sendo assim nunca só,
mesmo que eu,
complico-me
suplico voltar a mim mesmo
é um desastre não ser o mesmo
em todas as ocasiões
Não é fácil e nada é
enquanto meus eus passeiam
o mesmo se perde no caminho
Sou vários,
tantos;
nem acho lugares.
Aí enfiam-se onde não é pra estar
enganam-me, fico sem saber
até que me fazem esquecer,
mas o resto do mundo se lembra.
Eu não, eus nãos.
E recorda daquilo que não fui eu quem fiz,
quem programou, planejou, falou
Que diabos, sou vários
que me encaixam
que me pertencem,
mas não sou apenas eu, sou tantos
Acabo mesmo por aqui, para não dizerem: loucura
Pois não sou louco
apenas só não sou um,
porque sou vários
e sou tantos.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
O Galo por Lia
Muita coisa participa do Galo, tem Bethania, olhos claros, Caetano, anarquia, Cabelos, liberdade, alegria, poesia, cabe muita coisa nele.
Eu particularmente gosto de suas fases, umas menos, é como a Lua. Cada uma tem seu certo encanto, o Galo é encantador, cantador cancioneiro, poeta querido.
A sua presença muda o lugar, alma livre.
Iês!
Um gole de cachaça bem dado.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Sinto um certo aprisionamento nos conceitos e justificativas, a sorte é que por traz disso tem uma inteligência oriental, que se mostra paciente e afetiva com as diferenças.
Te vi coordenar um grupo de estudantes de cinema que com euforia se atropelavam para mostrar quem sabia mais, e te vi confiante nas suas vontades. Com política conseguiu encaixar seus desejos, deixando todos se sentirem contemplados, mas as idéias eram suas.
Um cara cheio de idéias. Um cara que fala manso e que enquadra tudo ao seu favor.
Um brasileiro que trabalhava 12 horas por dia e só pensava no desconto que receberia do cinema verde e amarelo. Deixou o Japão e a familia para se aventurar no Butantâ, na USP.
Atualmente a USP é o seu grande projeto e me parece que você é um cara de muitos projetos. Projetos grandes e é por isso que hoje nos reencontramos neste que tem tudo para ser o tal.
Eu SOU assim ó!
Um pouco artista miteriosa, um pouco atriz expressiva.
Tenho vaidade. E quem não tem?
Solto um sorriso com facilidade, mas as vezes me perco na minha seriedade.
Amo muito meus amores e me apego neles. Tenho medo de perde-los e de me perder neles.
Sou familia, quero agregar...mas preciso de tempo pra me isolar.
No trabalho sou viceral e na folia tento ser normal.Feliz eu sou e tento ser, me esforço. As vezes é preciso para não sofrer.
Esforço; luta e medo; desejo; medo; timidez até demais; me camuflo na personalidade forte; medo; desejo; me esforço; luto sempre, as vezes desisto.
Filho de Oxóssê.é Oxóssê né?
Pois é, como Oxóssê tem a missão da transformação e como caçador de alma velha tem a paciência necessária e o silêncio de quem fala com precisâo. tem fala certa e ela acertou minha testa , como seta de caboclo com direção. tem composições completas que comunicam a todos, que comunica a mim. não precisamos ser melhores amigos, só precisamos deste respeito que se instaurou na nossa divisão. eu te respeito como homem que sabe o que faz e me sinto respeitado.
Tem o olhar calmo e o coração pulsante que bombeia sangue e álcool, se faz de boêmio anárquico e tem o ritmo de um sambista da velha guarda.
Como você faz pra viver nesta motrópole moderna?
Sou contraditório.me intendo no silêncio.sou fiel aos meus aliados.amo o ser-humano.amo uma única vez.sou prático e objetivo.persistência suicída.trabalhador.gosto de parar e pensar.sou muito difícil.sou muito fácil.observador e completamente
intuitivo.ansioso.ansioso.impaciente.ansioso.tenho uma falsa calmaria.tenho muitas tonturas e dores de cabeça.odeio vomitar.gosto das pessoas e de conhece-las.o sorriso é muito fácil de aparecer mas não penso muito pra fazer cara feia.
Bebo muito café e larguei a coca-cola.sou facinado por cadeiras e quero muito ter filhos e cães.
Tenho sonhos de grandeza mas vivo na rasura, no caos, no rascunho.adoro rascunho porque assim posso sempre mudar, apagar e reescrever, detalhar mais e mostrar grosseria.amo as imagens e o poder que elas tem.
Guteba por Lia, não definitivo
Ele acha os apelidos das pessoas queridas meio de dentro dele meio de dentro delas. Não sei como faz, mas faz muito bem.
Ai, que difícil... o Gutinho teria o dom de me explicar, sente algumas coisas sem dizer e sente o que sentimos sem contar.
Não sei, tarefinha complicada, é amigo do peito e não passa por cima dele mesmo, eu acho e espero.
Ai, talvez depois eu complete, por enquanto é isso, não consigo traduzí-lo.
Tonga por Songa
Autêntico. Único. Especial. Só tem um Tom no Mundo.
Sensibilidade feminina. Mais Yin que Yang.
Engraçado e sério. Silencioso e falante. Inteligente e ingênuo.
Rápido. Sabe conviver em vários meios diferentes. Sabe lidar com as pessoas. Pé no chão, mas gosta das experiências de expansão da consciência.
Aberto para a vida, pros seres humanos. Acessível. Fofo. Meigo. Melancólico. Sofre de Platonismo. Sincero. Íntegro. Amorosíssimo.
Medroso e corajoso, uma mistura das duas coisas. Ótimo de conviver. Perspicaz. Competente. Dedicado. Não demonstra os sentimentos com freqüência. Não se expõe, não se abre pra qualquer um. Generoso. Terreno. Não tem muito apego material. Possui um senso de humor gostoso.
Sofia eu mesma
Guto por Sofia
Observador. Crítico. Expansivo. Presença forte, impossível passar despercebido.
Senso de humor. Humor ácido. Humor negro. Humor erótico. Todos os tipos de humor.
Amoroso. Intenso. Libidinoso. Faço bem o que amo. Boêmio. Amo as pessoas, mas ninguém fica imune aos meus julgamentos que se disfarçam de apelidos.
Gosto de expor os outros, mas não por maldade. Sei quebrar o gelo. Chutar o pau. Livre por um lado, preso por outro. Capricorniano. Escrachado.
Hiperativo. Elétrico. Impaciente. Ansioso.
Alegre. Pra cima e avante! Pouco contato comigo mesmo, mas prefiro que seja assim. Terrestre.
Porra louca, mas não cem por cento. 50% Porra Louca, 50% Conservador.
Atirado. Atrevido. Sei conquistar as pessoas. Cativante. Intuitivo. Tenho muito senso de coletividade, gosto da vida em bando. Sei dividir, compartilhar. Sei ficar íntimo em dois minutos e meio.
Ciumento. Machista. Possessivo.
Um pouco egocêntrico e sonhador.
Gustavo por Sofia
Espírito Livre. Ultra - sensibilidade para captar coisas e transformá-las em música. Genioso. Mobilizador. Agrega pessoas à sua volta. Alegre. Inquieto. Desbravador. Se fosse cor, seria vermelho com amarelo. E azul. Se fosse música, Caetano. Mistura do que é forte com o que é sutil. Cativante. Amável. Personalidade forte. Presença de espírito. Idealista. Saca as pessoas. Sabe onde pisa. Se joga, se doa, mas se preserva. Não fala muito dele mesmo. Difícil de criar intimidade.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Encaminhamentos e Questões
Ontem nos encontramos com a Dô, Sônia Hamburguer, para nos aprofundarmos mais nessas questões. A relação modo-de-produção/Tema/Estética sempre me instigou muito e é parte fundamental deste projeto. Sempre achei um tanto absurdo filmes com propostas e temas altamente distintos serem filmados demaneira tão parecida e dispendiosa. Por conta disso muitas obras se mostram frias, enrijecidas e contraditórias em relação aos seus temas e e olhares. Tal paradigma se reflete em nosso microcrosmo universitário. Ao invés de sermos instigados a desenharmos uma produção que se adeque aos nossos roteiros, de bolarmos soluções baratas e criativas, somos condicionados e nos condicionamos a ter que usar uma baita parafernália muitas vezes desnecessária e a montar uma hierarquia burocrática no set. O resultado é que a criação, a espontaneidade e o improviso morrem, a encenação se torna rígida, nos reunimos no set apenas para executar um plano decupado e colocado numa ordem do dia.
Nosso filme trata de viver como se acredita, de fazer do cotidiano essa busca. Então não faz o mínimo sentido filmarmos de maneira que o meio não seja um fim em si, que não haja prazer, criação e espontaneidade no processo. Isso gera uma infinidade de implicações das escolhas a serem feitas para que isso se dê de fato.
Seremos atores vivendo uma viagem pelo Brasil e nesse caminho desenvolvendo personagens que gostaríamos de ser. Vivendo e represantando a uma vida desejada. Há portanto um forte movimento de descoberta e representação individual de cada um. Por outro lado, como vimos no dia de E Sua Mãe Também somos jovens pertencentes a uma classe e dentro dessa classe, um grupo. Somos brasileiros, mas em determinada instância estamos isolados de muitas das realidades de nosso país, vivendo no nosso Vale Encantado do Rio Pinheiros. Quer queiramos, quer não, isso estará presente no filme. Só temos a ganhar se encararmos isso de frente, escancarando todas as questões e contradições que isso abarcar. Portanto iremos nos representar enquanto grupo também.
Pode parecer que não, mas o viver como se deseja e a auto-representação enquanto indivíduos e enquanto grupo geram milhões de questões estéticas e de produção.
Na nossa 1ª reunião lá na Ilha, o Gomgom muito espertamente colocou o problema de pensarmos nosso meio de transporte: Se viajaremos juntos, é muito importante que o meio de transporte concentre todos num mesmo espaço dramático, afinal muita coisa vai acontecer enquanto estamos na estrada. Isso me levou a pensar várias soluções. Uma kombi é muito barulhenta, um furgão fica todo mundo olhando pra frente. Um dia dei de cara com uma capa de um Road Movie e a solução pareceu brilhar na minha frente: um trailer.
Pronto, perfeito. Um espaço dramático único em que todos pussem se sentir mais livres para interagir e se movimentar. Além disso o trailer me parecia a metáfora perfeita para o nosso grupo: Pessoas numa casa que viaja pelo Brasil, mas que preserva um tanto de isolamento.
Porém essa solução se mostrou muito cara e logo se tornou um problema. Para solucioná-lo pensei em buscar grana pelas leis de incentivo e apoios. Ir por esse caminho pode ser uma solução, mas também tem muitas implicações. Significa se comprometer com pessoas e instituições que não estão envolvidas diretamente com as nossas questões pessoais, de grupo e cinematográficas. Até então o compromisso que tenho é com nós mesmos e pretendo nesse semestre estabeler um outro com a Universidade. Com nós mesmos por irmos a fundo num processo e numa experiência que nos propomos. Com a Universidade por este projeto estar fundamente voltado à minha formação e à uma pesquisa de linguagem e modo de produção que fecha meu ciclo lá e que quero que esteja veinculado à ela, por ser o espaço da pesquisa e da experiência por exelência, apesar de nesses três anos ter se mostrado mais o espaço do ensino técnico.
Eis algumas questões que o Diogo, a Dô e meu pai me ajudaram a ver mais claramente.
Não faz sentido buscar apoio financeiro se isso de alguma forma comprometer o caráter experimental deste filme, se implicar na perda de liberdade de modo de produção, de atuação, de viver. Se perdermos a liberdade de errar, de tentar fazer um filme de maneira particular, única. Todo o filme é único, portanto não há porque filmarmos igual.
Nada está descartado por enquanto. Mas o trailer ou qualquer outra coisa não pode custar o nosso espírito de aventura.
Pensei que podíamos ir de ônibus mesmo, misturados na galera, interagindo mais intensamente com pessoas de fora de nosso ciclo.
Convido a todos a opinarem sobre essas questões.
O Processo: 3ª Reunião
Como combinado levamos as descrições que fizemos uns dos outros e de nós mesmos e filmamos a leitura dessas descrições.
Através do que foi escrito, das palavras e das escolhas, muito foi dito sobre quem era descrito e sobre quem descrevia. Mas o que foi surpreendente foi ver as relações entre as pessoas se definindo e se revelando. Novos contatos e olhares estão se fazendo.
Bom, gravamos tudo, logo teremos uma edição desses vídeos. A idéia será brincar um tanto, confundindo que descreve com quem é descrito. Os textos na íntegra estão sendo postados no blog, faltam algns ainda.
Ao fim da noite, definimos as atividades para esse nosso recesso:
1) Cada ator deve bolar um roteiro/mapa de viagem ideal para si.
2) Cada ator deve criar um personagem que gostaria de viver nesse trajeto. Totalmente livre.
3) Fazer um levantamento de imagens significativas, imagens que por mais que não se tenha explicação racional, o ator sinta que de alguma faça parte de seu imaginário. Ex.: Sempre tive facínio por abrir o olho em baixo d'água e ficar lá o máximo de tempo, vendo as bolhas meio geometrizadas. Sempre me atrai pelo mistério das florestas e lugares que ninguém alcança.
A próxima reunião será no domingo dia 21/02, 20h00. Local a definir. Vamos mudar um pouco ou assim tá bom?
sábado, 6 de fevereiro de 2010
para wagner
segue o poema do leminski do qual te falei.
beijão
galo
arte do chá
ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo
ele veio
meio a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo
p.leminski
galoXgalo
Meu encontro com Dani. Os primeiros e os últimos discos do Caetano. Transa. Cê. Tudo de Leminski. Belvedere de Chacal. Bigode em Cotia. Itamar.Uma vontade forte em viver só de música.O fio de conta de Oxóssi. Uma mulher não deve vacilar. Mais nãos do que sins. O All-Star de Romeu & Julieta.Angústia em não saber lidar com a grana. Minha mochila azul e preta. O caderno conglomerado. Detetives selvagens. Não saber parar. Minha casa na Baleia. Andar pela praia em noite sem lua. Nunca querer que a noite acabe. Preguiça em acordar. Não falar dos medos.Ter medo do desconhecido. Querer o desconhecido. Existir ao invés de hesitar. Óculos Ray-ban. O Mundo não é chato. Quase nunca ser apreendido. Casa da Pompéia. Partida. Um índio sozinho. Tarde com Guilhermoso. O Louco no tarô. Um louco no coração da música. Contador. Laudelim.Recado do Morro. Rosa. Aquele que se despreparava todo. Nuvejava. “Vou mais no cemitério não”.A ficha caiu.
“Entremente , ia cantando (...) ao que se podia arejar, cabeça e o corpo ganhando em levezas. Gostava daquela música. Gostava de viver”
Cê tava com saudade de mim? E sua mãe?
guto por galo
Quem vem com tudo não cansa. Por isso que eu nunca me cansei dele. Já meteu o dedo na minha cara, bateu no meu peito e tudo mais. Acho que amigo é assim mesmo. Uma relação sem paz nenhuma. Respeito é coisa de colega de repartição. Estes não sabem como é gostoso discutir na madruga sobre um montão de coisas. Mas voltando...Ele é o bárbaro. É ele quem mata a cobra e mostra o pau. Mercuccio. E é sobretudo ele quem me agüenta desde o tempo em que eu só tocava Djavan e Bob Marley no violão e continua suportando hoje minhas ligações a cobrar, minhas variações de maré, de humor e amor. Ele usa meias coloridas, ouve Pena Branca e Xavantinho, além de ser louco, assim como eu, pela Ilha do Cardoso. Está na cara. E quem há de negar que a amizade é superior? Quem vem com tudo não cansa, morô?
Ele gosta de Tigresa. Por ele gostar dessa música eu gosto dele. Ele gosta de silêncio. Parece aquela foto do Chet Baker sentado com o trompete no colo. Tem olhos verdes. Olhos de poeta vidente, destes que miram a estrada lá na frente. Leminski tem um poema chamado “Arte do chá” no qual dois amigos se encontram e curtem juntos essa amizade sem falar nada um ao outro. Ele deve ter gostado bastante da Ilha do Cardoso. Era o contraponto daquelas pessoas que viajam e carregam consigo as mesmas conversas que travam nos bares de sempre do vale encantado do rio pinheiros. Eu ficava admirando. Paulinho da viola canta “hoje eu quero apenas uma pausa de mil compassos”; Arnaldo Antunes “foi a primeira coisa que existiu”. Mas o silêncio dele é outro. É da tigresa. De quem gosta. E eu fitei meu violão.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Depois da reunião, um desabafo por e-mail..
Ontem foi um dia tão difícil. E quando eu cheguei você me carregou no colo e eu achei de novo tão legal que essas coisas acontecem. Sem você saber que meu dia estava sendo difícil, assim como naquele ano novo que você me abraçou - sempre bom estar perto de você nesses momentos.
A resposta chegou à noite...
E o caminho a gente faz, mas também tem a parte que é a travessia e suas curvas: destino? acaso? A falta de um amor da vida, o nascer de outros inesperados. E a gente tem que viver isso também. E você está vivendo. Sentindo tudo.
Eu ouvi e admirei, apesar de estar vidrado no computador, tentando explicar o blog, quando você falou que estava com saudade do seu pai, que não ia sair por causa disso. Então pronto. Em nenhum momento te senti menos ali, menos presente que ninguém. Pelo contrário, sempre te senti fazendo parte do que a gente está fazendo. Ontem e sempre.
Acho que a coragem de se ser o que é não é algo que atingiremos no fim do filme, mas vai ser a nossa lógica. É a liberdade de se viver o que se quer, mas também o que foge do controle. Então não se cobre e não fique receosa, porque como você mesma disse, já está vivendo quem é agora. E eu não consigo nem imaginar o quanto deve ser difícil.
"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".
Te amo, intuitivamente, cada vez mais consciente, Tom.
LIA por TOM
E quanto mistério tem a Lia. Tão entregue aos outros por um lado, tão sedenta de estar com os amigos, de estar no mundo, na rua, no bar, com o Banzé cachorrinho, com o Biro. E por outro tão guardada para si mesma, receosa do perigo, que nem a Lia 2 consegue encarar. Às vezes prefere o platonismo ao gosto do real.
E sempre me deixa maluco, preocupado, quando fica desvairada, Lia 2, 3, 4, e também quando resolve não comer. "Não tô com fome, mano". Drankoréxica. Não, não é. A Lia é inclassificável. Não come porque não quer, não tem nada a ver com magreza. É uma taurininha teimosa que só.
Eu sonho com o dia que a Lia vai se libertar. Não é arrogância, eu bem sei que ela quer, assim como eu. Às vezes eu acho que falta ela se amar como ama cada um que ela conhece e como quem conhece ama ela. Mas não sei se é isso. A Lia não é a estudante de pedagogia, não é a sapata, não é a Bobó Jamaica. A Lia é a Lia. E vejo nela um orgulho de ser, um irredutibilidade perante ao clichê. Isso permite a liberdade de ser o que quiser, liberdade que só falta se dar.
GALO por TOM
- Não Zezé, você não é o Urutu Branco.
Eu sinto que aqueles olhos claros entram fundo na minha alma e podem ver o que quiserem, se quiserem. A gente tá loco de doce e o filho da puta sabe o que eu tô pensando. Me avexo, não encaro. Tenho medo do que ele possa ver.
Tem uma coisa que eu acho linda na Umbanda e no Candomblé, mesmo conhecendo muito pouco dos dois, que é que para além do misticismo e espiritismo, os orixás são metáforas, representações de tipos e estados da natureza humana. O mesmo com a mitologia grega, só que os orixás são mais brasileiros. Eles são espertos, traiçoeiros, alegres, guerreiros, enfim, são feitos da mesma coisa que a gente.
Eu não sei qual o meu orixá, nem lembro qual é o do Galo, mas o dele tá sempre passando uma rasteira em mim, não pra me ver no chão e rir, mas como quem diz:
- Fica esperto, meu filho!
Eu sinto que a gente conversa com a boca umas coisas e outras com a alma.
O Galo não tolera a apatia, o cansaço, o tédio, a tristeza. Às vezes até enche o saco. Porra, me deixa dormir, eu sou low battery mesmo. Mas sei que isso é porque ele sabe que quando a alma veste luto já não luta, e ele não quer dar a mínima chance disso acontecer com ele e com quem ele gosta. O Galo, 'Gustavo!', é um guerreiro, guerreiro da liberdade e a sua luta é leve, elegante e alegre. 'Hihihihi', ele ri da graça, da malícia e da adversidade.
O Galo é bonito, ainda mais quando corta o cabelo. Tem um peito aberto, é esguio e quase alto, hihihi. Dança na ponta dos pés e apesar de ficar falando do Dan, também é mó pintudo, quer dizer, vai saber o que tem naquela sunga colorida.
Mas tem uma coisa que é foda. Ele é geminiano. Bom, ninguém é perfeito. Às vezes entra numas e não tá nem aí se o seu humor não tá batendo com o mundo, o mundo que se lixe.
E além de tudo ele compõe umas músicas e letras lindas. Poetão mesmo. E músico de verdade, desses que casam o som e a palavra. Só acho que tá na hora dele dar uma estudada numas harmonias diferentes, que isso vai levar ele a poder crescer sua gama de assuntos.
Sua música, sua arte, sua vida são plenas de tesão pelo mundo, pelos outros. O Galo é lindo, e sabe viver.
MARCOS por TOM
A história de vida do Marcão é uma das mais incríveis que eu conheço, pelos fatos que a compõe, que a fazem singular, mas principalmente por ela ser feita totalmente por uma iniciativa própria, de criar o próprio caminho e destino. Menino de Foz do Iguaçu, crescido em Jales, o Marcos fez a si mesmo. Podia ter ficado por lá, mas não, quis ir além das ruas de paralelepípedo e foi morar no Japão, na Austrália e em São Paulo, essa babilônia. É um dos poucos amigos meus que não é do Vale Encantado do Rio Pinheiros, pelo menos não de origem. E não há julgamento nisso, Jales deve ter seus prazeres, ele sabe melhor do que eu e os reconhece, mas o Marcos precisava e precisa ainda ver novos mundos, novas pessoas, novas experiências. Elas o alimentam constantemente, mas a fome não parece próxima de cessar.
E esse lance de reconhecer os prazeres nas coisas mais distintas me faz admira-lo ainda mais. Ele vê a beleza de Jales e de São Paulo, do Japão e do Brasa, como ele mesmo diz, da charmosa e da desengonçada, do futebol e do papo sério, do erudito e do popular, do intelectual e do braçal.
Por falar nisso, o Marcão é um dos maiores cabeções que eu conheço. Literalmente e intelectualmente. Lê pra caralho, de tudo, inclusive umas cascas grossas que eu não encaro não. Jaques Aumont, tá loco! Tenho até um pouco de inveja. Mas ele não se prende a dogmas, cada vez mais o vejo tendo o jogo de cintura pra ver que o mundo e a arte são mais ricos e complexos que todos os modelos explicativos da ciência, que todas as propostas estéticas, mesmo sabendo que é importante nos identificarmos com algumas delas. Mudou muito nesses três anos que a gente se conhece, no começo era mais travadão, né não Marcão?
O Marcos é muito mais complexo do que as minhas palavras poderiam expressar. Ele ama as mulheres de uma maneira toda sua, misturando um olhar artístico e idealizador com um sentir e viver simples e inexpressáveis. Fez um vídeo lindo quando terminou o seu recente namoro, tirando beleza do prazer e da tristeza, misturando a vida e a arte. É um artista em constante formação e que se arrisca entre a pretensão e a despretensão. Foi operário no Japão, lavou pratos na Austrália e veio à São Paulo estudar para dizer ao mundo o que tem pra dizer. Acho que o Marcos já é um aventureiro faz tempo.
TOM sobre TOM
Bom, eu sou alto, moreno, com cara de turco. Adoro o cinema pois adoro me emocionar, ver visões lindas, sensíveis do mundo. Sem emoção não tem tesão. Esse papo de que a emoção engana o espectador pra mim deu no saco, o cara senta ali porque quer se emocionar, porra. Por isso às vezes fico de saco cheio e tenho vontade de virar cozinheiro, velejador. Mas não, agora é a hora de botar a cara no mundo e fazer do jeito que eu e meus comparsas acreditamos, solto, gostoso, consciente e sem culpa das contradições. Os chatos que façam cinema chato, de ver e de fazer.
Mas era pra eu me descrever, né? Acho que o principal é que sou um puta dum cara ansioso, isso é uma bosta. Às vezes os projetos e sonhos me enchem de tesão e alegria, mas na maioria do tempo eu tô só me cobrando para realizá-los. Por isso eu fumo que nem uma puta presa. Aí o que rola é que muitas vezes não curto o momento, ou não me deixo levar. Me falta as vezes um senso de realidade. As coisas passam e eu sinto que vivi, mas que não senti fundo. É estranho. Mas é isso aí, tô botando a cara no mundo com esse filme, como visão de mundo e cinematográfica. Tem muita coisa pra planejar e concretizar, pra fazer com propriedade e consciência, mas é preciso também uma camada de deixar rolar, sem pensar. Eu penso muito. E como diria o Guto e o Roberto Freire: Penso, logo hesito.






