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quarta-feira, 14 de abril de 2010
Duas faces de Bel
http://www.youtube.com/watch?v=iWqR5d61T0Y
Elisa:
Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=l8s6gejRV48
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=lJk9jiuRwQY
terça-feira, 13 de abril de 2010
Valdeci
http://www.youtube.com/watch?v=-_kTRg8-PmY
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Noel
Noel, sua mulher, seus sete filhos, suas três noras, seus dois cachorros, dois gatos e as suas duas cacatuas.
Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=X3regoA9-7c
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=P5Eox1UXF7w
terça-feira, 6 de abril de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
Elisa
domingo, 14 de março de 2010
sexta-feira, 12 de março de 2010
Alex / Sebastião
http://www.youtube.com/watch?v=ykv2wkiPBWw
http://www.youtube.com/watch?v=FzZa3_qdwpM
O texto lido no dia já segue abaixo:
ALEX / SEBASTIÃO
Meu nome é Sebastião. Cresci e fui educado a bordo de um veleiro cuja capacidade era de 6 pessoas. Até meus 5 anos de idade éramos eu, meu pai, minha mãe e um casal de amigos franceses, Jean e Marianne. Eles são meus pais adotivos. Dos meus pais verdadeiros, não lembro se quer dos seus rostos, tampouco guardo nenhuma foto. Faz 20 anos que eles morreram. Ela se chamava Marina e ele João. Obviamente não tiveram muito tempo pra me ensinar muita coisa, mas o principal eles fizeram: aprendi a falar em português, português do Brasil. Eu sei que meu sotaque é meio estranho, mas isso é porque meus pais adotivos, o Jean e a Marianne é que me educaram. Além disso, eu nunca vivi no Brasil, até agora.
Esta é a primeira vez que entro num continente a fundo pra falar a verdade, de resto só conheço as ilhas, as costas e algumas cidades litorâneas do mundo. Até 15 dias atrás eu nunca havia ficado a mais de 20 km do mar e creio que até hoje seria assim se não fosse por uma coisa que aconteceu.
Há uns três meses, vindos do Sul, nós costeávamos o litoral brasileiro sem nos aproximar muito. Quando atingimos a latitude de 25˚ 33' sul avistamos duas pequenas ilhotas próximas ao continente. Então houve uma súbita queda de pressão atmosférica, o mar se agitou muito, o vento ficou bem forte e irregular, tornando muito difíceis as manobras no barco. Eu já estava bem ávido para conhecer o Brasil e sugeri que buscássemos abrigo no continente, mas o Jean e a Marianne, sempre evitando contato com a civilização, preferiram ancorar em uma das ilhas. Porém a primeira que nos aproximamos era impossível de atracar, não havia praia, somente pedras contra as quais o mar se chocava violentamente. Na segunda finalmente encontramos abrigo, havia uma prainha e passamos uns dois dias lá.
Quando enfim o Sol veio, peguei o veleiro para explorar as redondezas, enquanto os dois resolveram ficar curtindo no acampamento da ilhota, enfim, essas coisas que fazem os velejadores solitários. Então rumei para a outra ilha inacessível. Tive que circundá-la quase inteira para encontrar umas pedras mais fáceis de subir, então ancorei o veleiro e nadei até elas, elas eram bem planas e formavam uma piscininha, então quando uma onda me jogou, passei em um segundo do nado à corrida para não ser arrastado de volta.
A ilhota era de fato linda, melhor do que eu havia imaginado. Uma mistura de terra e rocha vulcânica exposta, de modo que havia diversos tipos de vegetação muitos próximos uns aos outros: mata de restinga, capins selvagens e densas árvores da mata atlântica. Muitos, infinitos de ninhos de todos os tipos de pássaros marinhos se espalhavam pelas escarpas que davam à ilha o seu contorno de vulcãozinho. Minha vontade era de escalá-la e ver lá de cima o continente que eu tanto queria conhecer.
Quando comecei a subir, logo encontrei um fio d'água que descia dos duzentos metros que a montanha devia ter. Estranhei, era uma ilha muito pequena pra conter uma nascente. Passei então a seguir o fio e quando cheguei ao topo encontrei um lindo lago de águas cristalinas onde um dia deve ter sido a cratera daquele vulcão. Não era água da chuva acumulada e quente, era doce, fresca e corrente. Tirei a roupa e pulei. Haviam peixes nadando ali! Peixes de água doce e eles simplesmente não tinham o mínimo receio da minha presença. Então eu notei uma fenda grande quase no fundo do lago. Era um tunelzinho subaquático. Fui, tinha que ir, claro. A idéia era estúpida e com possibilidades suicidas, mas eu já estava ali e tinha que ver o que tinha do outro lado, se é que havia outro lado. Hiperventilei para ter mais fôlego, correndo o risco de desmaiar e mergulhei. Eram cinco metros até a boca do túnel e então nadei mais dez, ou quinze metros. Tinha que voltar ou ia morrer ali. Mas então eu vi que havia luz do outro lado, pois logo à frente a água passava do negror total para um verde escuro. Quase morrendo e quase 15 metros à diante sai da água.
Estava em um outro lago, dentro de uma caverninha. Pequenas fendas nas pedras iluminavam o lugar que tinha grandes matacões redondos cobertos de musgo. Segui por um corredor e encontrei uma outra sala, quase idêntica, só que sem água. Ao invés de água o que se via no chão eram centenas de livros espalhados. Todos tinham 410 páginas, capa dura cor vinho e o título, sem autor, na lombada. Os títulos eram cada um referente à uma pessoa. 'Livro de Pedro', 'Livro de Bruno', 'Livro de Carlos'. Escolhi no livro de Bruno uma página a esmo e encontrei a seguinte passagem: "Bruno estava com 5 anos quando ficou órfão à bordo do veleiro e estava prestes a ser adotado pelos assassinos de seus pais, Jean e Marianne". Estremeci diante do absurdo vertiginoso. O resto do livro era simplesmente a transcrição de minha vida até ali. O que vinha antes era para mim uma revelação: todo meu passado antes dos 5 anos havia sido inventado pelos franceses. Eu morava no Brasil, em São Paulo e nunca havia pisado num veleiro até a tarde em que meus pais foram convidados por aquele simpático e perigoso casal de franceses que haviam acabado de conhecer em Guaecá.
Totalmente cego tomei aquela história como minha sem nem sequer refletir. O medo e o ódio me deixaram num estado quase convulsivo e eu perdi a noção do tempo e da realidade. Em meio ao delírio me vi indo ao veleiro e matando Jean e Marianne. Foi quando encontrei outro livro, justamente o que levava o meu nome: 'Livro de Sebastião'. O que ele narrava era uma história quase idêntica, com a diferença que até os cinco anos a história era exatamente como eu conhecia até ali, sem que houvesse assassinato. O livro terminava comigo entrando na caverna.
Sucessivamente, fui lendo trechos de outros livros e todos contavam a minha história com pequenas diferenças. Alguns começavam mais adiantados e falavam do futuro, outros narravam até o presente. Em alguns meus pais eram assassinados pelos franceses, noutros os assassinavam e passavam a viver sob sua identidade e noutros se quer existiam, os franceses eram meus pais.
Até que por fim encontrei o 'Livro de Alex'. Ele era diferente, não havia a minha história pregressa. Havia a estória de Alex, que começava com ele saindo de uma caverna em uma ilha, despedindo-se de seus pais e indo para o continente, onde encontrava um grupo de jovens viajantes que viriam a lhe ensinar a viver entre os homens. Alex levava consigo um livro contendo o seu futuro. As últimas palavras que li do livro foram: "...então Alex decidiu parar de ler e começou a escrever".
Dionísio por Galo...
http://www.youtube.com/watch?v=fVtHT4nibYc
http://www.youtube.com/watch?v=IrqhRpqsLIo
quinta-feira, 11 de março de 2010
Personagens: Sereinha da Sé
http://www.youtube.com/watch?v=VW5qkx2xo04
Vai Sereinha!
quarta-feira, 10 de março de 2010
quizumba de dionísio paixão
Preto. 1,80m. 75 kg. Natural do bairro do Bixiga, Rua Abolição, São Paulo. Sem profissão. Faz samba. Gosta de Assis Valente, Ismael Silva, Monsueto e é claro Geraldo Filme. Gosta também de Caetano Veloso e Jorge Mautner. Dá pernada. Curte angu. Às vezes some no Rio ou na Bahia. Foi visto também nas caladas de Buenos Aires. Não gosta de rimar amor e dor. Adora uma pelada. Divide a casa com Galo. Guilhermoso Wild Chicken é seu norte, sua guia. Não tem medo da loucura. Não tem medo da morte. Não gosta de Ivete Sangalo. Nunca foi a Sapucaí. Seus prazeres são outros. Coisas da vida. Sua cor favorita é o vermelho. Seus ídolos são Mick Jagger, Ângela Davis, Madame Satã. Descobriu o rock´roll recentemente. Dançou até o sapato pedir pra parar. Já disse que ele divide a casa com Galo? Só aparece em dia de festa ou loucura. Foi assim que ele voltou depois de uma longa ausência, galopando pela praia deserta. Disse que voltou pra ficar longo tempo. Chegou a hora, segundo ele, da quizumba. Quer cantar.
terça-feira, 9 de março de 2010
Personagens: Tobias
O que surgiu, no entanto, foi muito rico e provavelmente terá continuidade. Estou com dificuldades de postar vários vídeos no mesmo tópico, além de demorar muito. Então vou colocar um por dia.
O primeiro é Tobias, o ladrão performático. Aproveitem.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Sereinha da Sé


Não que seja menina de rua, mas vive dentro de uma fonte que deixou de ter água há uns bons anos, na Praça da Sé. Dessas meninas - menino que vemos por aí. Mora mesmo ali dentro, por isso é conhecida nas redondezas como a Sereinha da Sé. Quando chove é a desforra. E quando chove muito, a fonte até enche um bocadinho e ela se esbalda brincando de ser a sereia que gosta de imaginar. Sereinha do cabelo curto, que canta nas calçadas durante o dia pra ganhar a vida com uma vozinha chocha - e o povo até que se compadece e lhe descola algumas moedas pequenas. Mas quando chove, aí ela se inspira e bem que solta um vozeirão de menina adulta, de menina mulher que encanta os que tem a sorte de flagrar a cena. Flagrar, porque não é para os outros que ela canta assim, é pra ela mesma, quando se sente feliz e imagina longas madeixas ao invés do cabelinho curto desgrenhado e uma calda linda e verde esmeralda no lugar das pernas. Claro que o seu sonho é conhecer o mar. Como foi parar lá dentro da fonte da Sé, é estória que os outros gostam de imaginar. Cada um tem sua opinião, chute, e outros dizem que sabem mesmo: que ela foi largada ali de bem pequeninha e que não conhece outra vida, outro lugar. Nunca saiu do centro da cidade, de onde conhece cada canto, cada esquina, cada boteco, cada pedinte, cada puta, cada cão sem dono, cada menino de cola, cada poste, cada cuspe, cada avenida, cada ponto de ônibus, cada casa de suco. Mas nunca viu coisa nenhuma diferente de canto, esquina, boteco, pedinte, puta, cão, moleque, poste, cuspe, avenida, ponto e suco. Nunca viu o mar, por exemplo. Nunca viu areia da praia sem ser em capa de revista, nunca viu duna, nunca viu céu despoluído, mata virgem, estrelas no céu nunca nunca viu. Nem imaginar, imaginou. Imaginar como, se não sabe que existe? Aí seria invenção, não imaginação, então ela prefere nem tentar. E se contenta com seu tanque seco, com sua voz murcha, com o fato de ninguém saber seu verdadeiro nome. Se contenta com noite sem lua e com as luzes que nunca a hipnotizaram.
E naquele dia foi ela quem hipnotizou um bigodudo chamado Zeus que surgiu de combi do meio do temporal para levá-la dali pra bem longe. “Quer conhecer o mar, Sereinha?”, perguntou o desconhecido. “Que que você acha, tio?”. E assim, enquanto cantava ia subindo a bordo da combi 1985 do tiozinho do bigode simpático. “Pode fumar aqui, tio?”. “Você pode tudo, Sereinha. Não tá vendo que eu sou a sua salvação. Agora vamos buscar os outros.” Ela nem perguntou nada. Não tinha nada a perder, afinal de contas. Não sentia apego nenhum pela fonte da Sé – é, ela não teria do que sentir saudades. Queria mais era ir ver o mar, e iria mesmo achando que aquele tiozinho vestido de salva-vidas podia muito bem tá enganando ela. Ele parecia inofensivo. Ela tava acostumada com coisa pior. Queria mesmo era andar de combi pela primeira vez. “Tchau Sereinha da Sé” – gritava com a cabeça pra fora da janela, e depois ela abria a boca e deixava a água da chuva entrar. “Agora eu vou ser a grande sereia do mar!”.